A Gotinha

Uma gotinha de água ouviu falar de um imenso Deus. Devido à imensidão do que lhe disseram, a gotinha resolveu adorá-Lo, e descobriu o caminho para encontrá-Lo.

Prostrou-se diante do Sol, pois sabia que esse era o primeiro passo da sua busca. Ela também sabia que isso custaria sua vida, mas tendo ouvido da grandeza daquele grande Deus, enfrentou seu medo. O calor do Sol a fez evaporar: esta foi sua primeira morte. Solve. Espiritualizar a Matéria. [Ignis. Aer.]

O frio da superfície da atmosfera terrestre a fez novamente condensar-se; renasceu. Coagula. Materializar o Espírito. [Aqua. Terra.]

Extasiada, perdida em adoração pela Beleza dos Céus, caiu no Oceano, perdendo-se: Esta foi sua segunda morte: morreu como a pequena gotinha que era, e ganhou as dimensões e o poder do seu Grande Deus, O Oceano. Solve et Coagula.

A Violinista

A VIOLINISTA

(THE VIOLINIST)

(publicado no Equinox IV, 1)

A sala estava nublada com um diabólico incenso: açafrão, opoponax, galbanum, almíscar, e mirra, a pureza do último ingrediente uma maldição de blasfêmia, um escárnio final; tal deboche poderia insultar um Raphael ao colocá-lo numa sala devotada àquele deboche.
A garota era baixa, e delicadamente construída, um tipo de flexível caçadora. Seu vestido, justo, era de uma seda dourado-castanha que combinava, mas não poderia competir, com os cachos que atavam sua fronte — brilhantes e assobiantes como cobras.
Seu rosto era Grego em delicadeza; mas o que dizer sobre aquela boca, nele? A boca de um sátiro ou de um demônio. Ela era cheia e forte, duplamente curvada, seus cantos altos, de um púrpura colérico, com lábios insípidos. Seu sorriso era como o ranger de dentes de uma fera selvagem.
Ela ficou de pé, violino à mão, diante da parede. Do outro lado estava uma grande tabela de mosaico; muitos quadrados e muitas cores. Nos quadrados haviam letras numa língua desconhecida.
Ela começou a tocar, seus olhos cinzentos se fixaram em um quadrado cujo centro estava esta letra, N*. Ele era preto sobre branco; e os quatro lados do quadrado eram azul, amarelo, vermelho e preto.
Ela começou a tocar. A ária era leve, doce, suave e lenta. Parecera que ela ouvia não à ela própria tocando, mas à algum outro som. Seu arco se tornou mais rápido; a ária progrediu áspera e selvagem, irritada; acelerou mais adiante até uma velocidade que se assemelhava à chamas consumindo um fardo de feno; se suavizou novamente até uma lamentação.
Cada vez que ela mudava a alma da música parecia como se estivesse exausta: como se ela estivesse tentando soar uma frase particular, e sempre se sentisse confusa no último instante. Nem havia luz alguma em seus olhos. Havia intenção, havia cansaço, havia paciência, havia agilidade. E a sala estava estranhamente silente, pouco simpática em relação ao seu humor. Ela era a coisa mais turva no meio daquela luz cinzenta. Ela ainda aqueceu. Ela continuou mais tensa, sua boca se apertou, uma feia pressão. Seus olhos brilharam com — o que é o ódio? A alma da música era agora angustiante, implorante, desesperadora — até chegando à algo inatingível.
Ela se sufocou, num choro compulsivo. Ela parou de tocar; ela mordeu seus lábios, e uma gota de sangue mantinha-se neles, deixando seu rubro contra seu inflamado púrpura, como pôr-do-sol e tempestade. Ela os pressionou contra o quadrado, e uma mancha tingiu o branco. Seu coração se apertou; pois alguma estranha dor a rasgou.
Em cima estava seu violino, e seu arco o cruzava. Pode ter sido como as espadas de dois habilidosos esgrimistas, ambos cegados pelo ódio mortal. Pode ter sido como os corpos de dois habilidosos amantes, cegados pelo amor imortal.
Ela rasgou vida e morte em suas cordas. Acima, acima pairava a fênix de sua música; passo a passo na dourada escalante-ladeira de sua ária ela escalava a cidadela de seu Desejo. O sangue escorreu e inflamou sua face embaixo de seu suor. Seus olhos estavam injetados com sangue.
A música se ergueu, culminou — ultrapassou as barreiras, chegou à sua frase.
Ela parou; mas a música continuou. Uma névoa se acumulou sobre o grande quadrado, ameaçador e repugnante. Havia um despedaçador som agudo sobre a melodia.
Diante dela, com as mãos sobre suas coxas, estava um garoto. Dourados eram seus cabelos e vermelhos seus jovens lábios, azuis seus olhos. Mas seu corpo era etéreo como uma película de orvalho sobre o vidro, ou enferrujado como uma graciosa vestimenta; e tudo foi terrivelmente tingido de preto.
“Meu Remenu!” ela disse. “Há quanto tempo!”
Ele sussurrou em seu ouvido.
A luz atrás dela flutuou e se foi.
O espírito colocou seu violino e seu arco sobre o chão.
A música se foi — uma desejosa, quente melodia como loucas águias em mortal luta com os bodes da montanha, como serpentes pegas em caçadas selvagens, como escorpiões atormentados por garotas Árabes.
E no escuro ela chorou e gritou em uníssono. Ela não havia esperado por isso: ela havia sonhado com o amor mais apaixonado, com o desejo mais fantasticamente-ardente, que o simples mortal.
E isto?
Esta real perda da verdadeira castidade? Esta degradação, não do corpo, mas da alma! Esta branca e quente, envolvente chama — fria como o gelo sobre seu coração? Este torto raio que ela despedaçou? Esta tarântula de lodo que espalhou-se acima de sua espinha?
Ela sentiu o sangue correndo sobre seus seios, e sua espuma em sua boca.
Então subitamente as luzes se acenderam ela se achou sustentada — revirada — com sua cabeça caída sobre seu braço.
Novamente, ele sussurrou em seu ouvido.
Em sua mão esquerda estava uma pequena caixa de ébano, com uma pasta escura dentro. Ele esfregou um pouco em seus lábios.
E uma terceira vez, ele sussurrou em seu ouvido.
Com o sorriso de um anjo, salvo pela sutileza — ele se foi até a tabela.
Ela se virou, assoprou o fogo, que se iniciou amigavelmente, e se atirou na poltrona. Com preguiça ela tocou, desafinadamente, antiquadas e simples melodias.
A porta se abriu.
Um alegre rapaz entrou e sacudiu a neve de seu casaco.
“Tem estado muito entediada, garotinha?”
“Não, querido!” ela respondeu. “Estava tocando um pouco.”
“Me dê um beijo, Lily!”
Ele se curvou e juntou seus lábios aos dela; então, como que se fulminado por um raio, estendeu-se, um cadáver.
Ela encarou com desânimo através dos olhos entreabertos com aquele seu sorriso que era uma confusão.

FRANCIS BENDICK.

(Aleister Crowley)

* a letra é um Drux enochiano.

Cartões-Postais para Probacionistas

CARTÕES POSTAIS PARA PROBACIONISTAS

TEOREMAS

I. O mundo progride por virtude da aparição de Cristos (gênios).
II. Cristos (gênios) são homens com supra-consciência da mais alta ordem.
III. Supra-consciência da mais alta ordem pode ser obtida através de métodos conhecidos.
Então, ao empregarmos a quintessência de métodos conhecidos, fazemos com que o mundo progrida.

PRINCÍPIOS DO MÉTODO

I. Teologia é imaterial; pois tanto Buda quando Santo Inácio foram Cristos.
II. Moralidade é imaterial; pois tanto Sócrates quanto Mohammed foram Cristos.
III. Supra-consciência é um fenômeno natural; suas condições devem então ser buscadas mais nos atos do que nas palavras daqueles que a alcançaram.
Os atos essênciais são retiro e concentração — como ensinado pela Yôga e pela Magia Cerimonial.

ERROS DOS MÍSTICOS

I. Desde que a verdade é supra-racional, ela é incomunicável na linguagem da razão.
II. Ainda que todos místicos tenham escrito coisas absurdas, tampouco o que de sensato escrevem é verdadeiro.
III. Ainda, assim como um lago mostra um reflexo do sol mais verdadeiro do que uma torrente, aquele de quem a mente é melhor equilibrada irá, se tornar-se um místico, ser o melhor místico.

O MÉTODO DO EQUILÍBRIO

I. AS PAIXÕES, ETC.

I. Desde que a verdade ultimal da teleologia é desconhecida, todos os códigos de moralidade são arbitrários.
II. Então o estudante nada tem concercente à ética e tais.
III. Ele consequentemente é livre para ‘executar o seu dever naquela situação de vida na qual ele fez com que Deus o chamasse.’

II. A RAZÃO

I. Desde que a verdade é supra-racional, qualquer declaração racional é falsa.
II. Que o estudante então contradiga cada proposição que se apresenta diante dele.
III. Idéias racionais sendo assim retiradas da mente, há espaço para a apreensão da verdade espiritual.
Deve ser relembrado que isso não destrói a validade das razões em relação ao seu próprio plano.

III. O SENSÓRIO ESPIRITUAL

I. O homem sendo um ser finito, é incapaz de apreender o infinito. Nem mesmo sua comunhão com este ser infinito (real ou não) mudará este fato.
II. Então que o estudante contradiga cada visão e se negue a jogar com ela; primeiro, porque decerto há uma outra visão possível de natureza exatamente contraditória àquela; segundo, porque apesar de que ele é Deus, ele é também um homem em cima de um planeta insignificante.
Sendo assim equilibrado lateralmente e verticalmente, pode ser que, ou por afirmação ou por negação de todas estas coisas juntas, ele possa atingir o supremo transe.

IV. O RESULTADO

I. Transe é definido como o ek-stasis de algum particular intervalo cerebral, causado por meditação na idéia correspondente à ele.
II. Que o estudante então se atente para a idéia de não ter sequer um traço de imperfeição. Ele deve ser puro, equilibrado, calmo, completo, empenhado de todas as formas para dominar a mente, como ele quer. Assim como na escolha de um rei a ser coroado.
III. Então serão os decretos deste rei justos e sábios se ele era justo e sábio antes de ser feito rei.
A vida e obra do místico refletirá (ainda que sutilmente) a suprema força guiadora do místico, o mais alto transe o qual ele já atingiu.

YÔGA E MAGIA

I. Yôga é a arte de unir a mente à uma única idéia. Ela tem quatro Métodos.

Gnana-Yôga. – União pelo Conhecimento.
Raja-Yôga. – União pela Vontade.
Bhakta-Yôga. – União pelo Amor.
Hatha-Yôga. – União pela Coragem.
mais
Karma-Yôga. – União pelo Trabalho.
Mantra-Yôga. – União pela Fala.

Estes são unidos pelo supremo método do Silêncio.

II. Magia Cerimonial é a arte de unir a mente à uma única idéia. Ela tem quatro Métodos.

A Santa Cabala. – União pelo Conhecimento.
A Sagrada Magia. – União pela Vontade.
Os Atos de Adoração. – União pelo Amor.
As Ordálias. – União pela Coragem.
mais
As Invocações. – União pela Fala.
Os Atos de Serviço. – União pelo Trabalho.

Estes são unidos pelo supremo método do Silêncio.

III. Se esta idéia for outra que não a Suprema e Perfeita idéia, e o estudante perder o controle, o resultado é insanidade, obsessão, fanatismo, ou paralisia e morte (ou vício em bisbilhotice e inutilidade incurável), de acordo com a natureza da falha.
Que então o Estudante entenda todas estas coisas e as combine com sua Arte, unindo-as pelo supremo método do Silêncio.

ALEISTER CROWLEY

highway chile – don’t let NO ONE stop you :D

Aprendendo a Escrever num blog. Vai um Jimi !!! YEAH :D

Highway Chile

Yeah, his guitar slung across his back
His dusty boots is his cadillac
Flamin hair just a blowin in the wind
Aint seen a bed in so long its a sin
He left home when he was seventeen
The rest of the world he had longed to see
But everybody knows the boss
A rolling stone who gathers no moss

But youd probably call him a tramp
But it goes a little deeper than that
Hes a highway chile, yeah

Now some people say he had a girl back home
Who messed around and did him pretty wrong
They tell me it kinda hurt him bad
Kinda made him feel pretty sad
I couldnt say what went through his mind
Anyway, he left the world behind
But everybody knows the same old story,
In love and war you cant lose in glory

Now youd probably call him a tramp
But I know it goes a little deeper than that
Hes a highway chile

Walk on brother, yeah
One more brother

His old guitar slung across his back
His dusty boots is his cadillac
Flamin hair just a blowin in the wind
Aint seen a bed in so long its a sin

Now you may call him a tramp
But I know it goes a little deeper than that
Hes a highway chile

Walk on brother
Dont let no one stop you
Highway chile
Yeah yeah yeah
Highway chile
Go on down the highway
Highway chile
Yeah yeah yeah
Highway chile

Skavan – O Solucionador de Problemas

Skavan é um gênio criado por magistas norte-americanos. Sua principal habilidade é resolver problemas, sejam eles grandes ou quotidianos (se como um familiar). O Magista que desejar poderá entrar em contato com o espírito por meio da sua Arte usando o Sigilo dele, que se segue abaixo:

skavan.jpeg

(selo de SKAVAN)

Mais informações sobre o gênio, assim como relatos dos feitos deles por outros magistas podem ser encontrados (em inglês) nos seguintes endereços:

http://www.occultforums.com/showthread.php?t=8493

http://www.occultcorpus.com/forum/showthread.php?t=223

 

Jimi Hendrix – Bold As Love

A Tesouraria de Imagens [Libra]

LIBRA O Capítulo conhecido como
A Duodécupla Gratificação de Deus
e da sua Unidade

Eu
adoro
a Ti pelas
Doze Gratificações
e pela sua Unidade.

1. Ó Tu Ménade trajada de verde em parto, que sustenta sob Tua pesada cinta a safra de Teus beijos; liberta-me da escuridão do Teu útero, de modo que eu possa jogar fora meus embrulhos infantís e saltar em frente como um equipado guerreiro em aço.

2. Ó Tu cobra de nebuloso semblante, de quem o cabelo trançado é como uma lanosa aurora de donzelas desfalecidas; caça-me como um feroz javali pelos céus, para que assim Tua lança possa ferir os céus azuis em vermelho com o sangue espumante de meu frenesi.

3. Ó Tu enevoada Virgem do Mundo, de quem os seios são como rubros lírios empalidecendo diante do sol; embala-me no berço de Teus braços, de modo que o murmúrio da Tua voz possa adormecer-me à um sono como uma pérola perdida nas profundeza do silente mar.

4. Ó tu riso de tom víneo de melancolia desmaiante, que és como um desnudo fauno comprimido à morte entre os pilões do trovão; embebeda-me no êxtase da Tua música, para que assim no agarro cadavérico da minha paixão eu possa rasgar o nebuloso robe do Teu desfalecido peito.

5. Ó Tu libertino carregador do cálice da loucura, de quem a boca é como a alegria de milhares de milhares de beijos magistrais; intoxica-me na Tua delicadeza, de forma que o prata da Tua alegria possa celebrar como uma pérola branca-como-a-lua sobre minha língua.

6. Ó Tu Visão da Brancura da meia-noite, de quem os lábios são como bicudos botões de rosa deflorados pela decídua lua; cuida-me como uma gota de orvalho em Teu seio, de modo que o dragão do Teu guloso ódio possa devorar-me com sua boca de adamante.

7. Ó Tu efulgência do amor ardente, que persegues a aurora assim como um jovem persegue uma donzela de lábios rosados; rasga-me com os ferozes beijos de Tua boca, para que na batalha de nossos lábios eu possa ser banhado pelas fontes claras-como-neve de Tua glória.

8. Ó Tu touro negro num campo de garotas brancas, de quem os flancos esfumaçantes são como noite estrelada violentada nos ferozes braços do meio-dia; agita os chifres púrpureos da minha paixão, de modo que eu possa dissolver como uma coroa de fogo na confusão do Teu êxtase.

9. Ó Tu temível juíza de todos os homens, de quem a margem da saia bordada enrubesceu as muralhas brancas do Espaço; desvela-me o constelado mamilo do Teu peito, para que assim o leite do Teu amor possa nutrir-me à energia da Tua virgindade.

10. Ó Tu sedento cocheiro do Tempo, de quem a taça é a oca noite cheia da espuma da safra do dia; banha-me na chuva da Tua paixão, de modo que eu possa ofegar em Teus braços como uma língua de luz no seio púrpura da noite.

11. Ó Tu, opalecente Serpente-Rainha, de quem a boca é como o pôr-do-sol que é ensanguentado com o assasinato do dia; segura-me nas chamas rubras dos Teus braços, de modo que aos Teus beijos eu possa terminar como uma bolha na espuma de Teus deslumbrantes lábios.

12. Ó Tu Odalisca do palácio da terra, de quem as vestes são perfumadas e apaixonantes como as flores da primavera em clareiras ensolaradas; enrola-me no doce perfume do Teu cabelo, para que assim Teus cachos de ouro possam untar-me com o mel de um milhão de rosas.

13. Ó Tu viril guerreiro entre os jovens, de quem os membros são como espadas de fogo que são fundidas na fornalha da guerra; coloca teus gelados beijos em meus lábios incandescentes, de modo que a tolice de nossa paixão possa nos entrelaçar à Coroa de eterna Luz.

Ó Glória à ti pelos Tempos
e por todo o Espaço: Glória,
e Glória sobre Glória,
Eternamente. Amen,
e Amen, e
Amen.

A Tesouraria de Imagens [169 Adorações]

O Capítulo conhecido como
Os Cento e Sessenta e Nove Gritos de
Adoração e da sua Unidade

Eu adoro a Ti pelos Cento e Sessenta e Nove gritos de Adoração e pela sua Unidade.

Ó Tu Dragão-príncipe do ar, que estás embebedado pelo sangue dos pores-do-sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Unicórnio da tempestade, que estás elevado acima do ar púrpura! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu espada flamejante da paixão, que estás abrandado na bigorna da carne! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu lamacenta luxúria do túmulo, que estás enrolada nas raízes da árvore! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu esfumaçada espada de chama, que estás enterrada nas entranhas da terra! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu perfumado bosque de videiras selvagens que és pisoteado pelos brancos pés do amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu dourado feixe de desejos, que estás atado por um belo filete de papoulas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fundido cometa de ouro, que és visto através do cristal do Espaço do mago! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu aguda música do eunuco, que és ouvida por detrás da cortina da vergonha! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu brilhante estrela da manhã, que és posta entre os seiso da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu descoberto olho do mundo, que és visto através do véu de safira do espaço! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu sorridente boca da aurora, que estás liberada do riso da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ofuscante ponto-estelar da esperança, que queimaste sobre os oceanos do desespero! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu desnuda virgem do amor, que és capturada numa rede de rosas selvagens! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

O tú pequena torre de ferro da morte, que estás enferrujada com o brilhante sangue da morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu borbulhante cálice de vinho da alegria, que espumejas como o caudeirão do assassinato! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu, gélida pegada da lua, que estás traçada nas veias da ônix! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu frenético caçador do amor, que és assassinado pelos tortos chifres da luxúria! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu congelado livro dos mares, que estás engravado pelas espadas do sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu relampejante opala de luz, que estás envolta nos robes do arco-íris! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu púrpura névoa das colinas, que escondeste pastores da libertina lua! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu suave lamento de moças desfalecentes, que és capturado nos fortes choros do amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu passageiro sorriso de deleite, que fugiste com os golpes de lança da aurora! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu dourado vinho do sol, que estás derramado sobre os escuros seios da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fragância de doces flores, que estás flutuando sobre os campos azuis do ar! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu poderoso baluarte da fé, que resististe à todas as brechas da dúvida! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu chifre de prata da lua, que feriste o rubro flanco da manhã! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu cinzenta glória do crepúsculo, que és o hermafrodita triunfante! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu sedenta boca do vento, que estás enlouquecida pela espuma do mar! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu cama de desejos de pétalas-de-rosa, que estás dobrada pela vinha e o abeto! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu pássaro-doce rio de Amor, que piaste sobre as ásperas gostosuras da Vida! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu dourada rede de estrelas, que és cingida pelos seios frios da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu louco redemoinho de riso, que és complicado nas selvagens travas da tolice! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu branca mão da Criação, que seguraste a cabeça agonizante da Morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu púrpura língua do Crepúsculo, que lambes o reluzente leite do Dia! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu raio da Ciência, que flamejaste das núvens escuras da Magia! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rosa rubra da Manhã, que brilhaste no âmago da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu flamejante globo de Glória, que estás pego nos braços do sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu seta prateada da esperança, que és atirada do arco do arco-íris! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu estrelada virgem da Noite, que és tensionada aos braços da manhã! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu soldado armado de espada da vida, que és sugado pela areia movediça da morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu sopro bronzeado do trompete, que rolas sobre lanças revestidas de esmeralda! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu névoa opala do mar, que és sugada pelos raios do sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu verme rubro da formação, que estás erguido pela branca flor do amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu poderosa bigorna do Tempo, que derramaste as brilhantes chispas da vida! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu cobra vermelha do desejo, que estás desencapada pelas mãos das meninas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu encurvada onda de alegria, de quem os dedos acariciam os membros do mundo! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu águia esmeralda da Verdade, que estás assentado sobre a vasta árvore da vida! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu solitária águia da noite, que bebeste dos úmidos lábios da lua! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu filha selvagem do Caos, que és arrebatada pelo forte filho da lei! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fantasmagórica noite de terror, que és abatida no sangue da aurora! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu néctar-de-papoula do sono, que estás enroscado no tranquílo útero do repouso! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ardente raptura de meninas, que brincas no por-do-sol da paixão! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fundido oceano de estrelas, que és uma coroa para a fronte do dia! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu pequeno riacho nas colinas, como uma víbora entre os seios de uma menina! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu poderoso carvalho da magia, que estás enraizado na montanha da vida! Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu cintilante rede de pérolas, que estás tecida das ondas pela lua! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu promíscua lâmina da espada da vida, que estás embainhada pela prostituta chamada morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu espírito trajado-de-névoa da primavera, que estás desnudo pelas mãos do vento! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu doce perfume do desejo, que estás flutuante pelos vales do amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu cintilante cálice de vinho da luz, de quem o espumar é o sangue do coração das estrelas, Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu espada prateada da loucura, que foi forjada através da pilha da vida! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu encapada águia da noite, que estás farta nas entranhas do dia! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu arco pérola-cinza do mundo, de quem a pedra angular é o êxtase do homem! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rede sedosa de movimento, que estás soprada através dos átomos da matéria! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu precipitadamente aspergido limiar da alegria, que és perdido nas areias movediças da razão! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu visão selvagem da Beleza, mas meio vista entre as cúspides da lua! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu núvem pérola do pôr-do-sol, que és capturada na mão de um assassino! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rica nostalgia de repouso, que estás comprimida do botão da papoula! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu grande rocha de raptura, que levaste abaixo as montanhas da alegria! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu exalador dos ventos, que estás capturado nas redes de pesca da razão! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu peito púrpura da tempestade, que estás cicatrizado pelos dentes da iluminação! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Pilar de espuma fosforescente, que Leviatã derramou das narinas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu música da harpa da vida, que cantaste a perfeição da morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu velado feixe de estrelas, que estás enroscado nos cachos da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu escudo luminescente do sol, como um disco arremessado pela mão do Espaço! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu lascivo grito de riso, que echoaste entre as tumbas da morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu infalível jarro de alegria, que estás cheio com as lágrimas dos caídos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ardente luxúria da lua, que estás trajada na névoa do oceano! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu medida única de todas as coisas, que estás barrado da grande ordem dos mundos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu frágil virgem do Eden, que estás capturada pela morada do Inferno! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu escura floresta de maravilha, que estás enrolada numa dourada rede de orválho! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu torturado berro da tempestade, que estás envolto pelas folhas dos bosques! Eu te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ofuscante opala de luz, que flamejas no crânio esfarelante do espaço! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu faca rubra da destruição, que estás embainhada nas entranhas da ordem! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu tempestoso-embriagado respirar dos ventos, que ofegas no peito das montanhas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu sonoro síno do regozijo, que foi batido pelo martelo do innfortúnio! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rosa rubra do pôr-do-sol, que feneceste no altar da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu brilhante visão dos raios solares, que queimaste numa jarra de topázio! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu virgem lírio da noite, que brotaste entre os lábios de um cadáver! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu leme azul de destruição, que és alado com as luzes da loucura! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu voz dos altos mares, que tremeste no cinza do crepúsculo! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

O Tu desvelador do céu, de asas rubras como uma águia ao nascer-do-sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu enroscante língua de chama rubra, sedenta no mamilo da minha paixão! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu cavaleiro do sol, que esporaste os sangrentos flancos do vento! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu dançarina de unhas douradas, que destrançaste o cabelo estelar da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu enlurada pérola de raptura, presa permanentemente na mão prateada da Aurora! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu libertina mãe do amor, que és senhora das crianças dos homens! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fonte carmesim do sangue, que derramaste do coração da Criação! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu guerreiro olho do sol, que atiraste morte do berilino Abismo! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu caldo infernal de ódio da Bruxa, que ferveste no caudeirão branco do amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Faixa de Luzes do Norte, que amarraste os cachos diabólicos da noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

O Tú rubra espada do Crepúsculo que estás enferrujada com o sangue do meio-dia! Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu sacrificador da Aurora, que vestes a casula do pôr-do-sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu olho injetado em sangue da iluminação, brilhando sob a fronte do trovão! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu sólida Coroa do Nada, que circundas a destruição dos mundos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu sanguinário redemoinho de luxúria, que estás livrado pelo primeiro beijo de amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu maravilhoso cálice de luz, levantado pelas Ménades da Aurora! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fecunda opala da morte, que faíscaste através do mar da madre-pérola! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rosa carmesim da Aurora, que estás atada às travas obscuras da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu mamilo rosado do Ser, profundamente impulsionado na boca negra do Caos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu vampira Rainha da Carne, enrolada como uma cobra em torno das gargantas dos homens! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu delicado ninho de penas de pomba, construído entre as garras de falcão da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu concubina da Matéria, ungida com o bálsamo de amor do Movimento! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu raio revestido de fogo da Manhã, que és atirado do arco-e-flecha da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu frágil sino azul do Luar, que estás perdido nos jardins das Estrelas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu alto mastro de naufragante Chaos, que estás coroado pela branca lâmpada do Cosmos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu como-pérola pálpebra do Dia, que estás fechada pelo dedo da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu selvagem revolucionário das Colinas, empalidecendo sobre a palidez da Terra! Eu Te adoro, Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu enluarado pico de prazer, que estás coroado por línguas de víboras de chamas bifurcadas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu lúpica cabeça dos ventos, que aterrorizas a branca-como-neve ovelha do inverno! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ninfa coberta do orvalho da Aurora, que desfaleceste nos braços sátiros do Sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu louca morada de beijos, que estás iluminada pela gordura de inimigos assassinados! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu dormente luxúria da Tempestade, que és cheia de chamas como uma pedra repleta de fogo! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu suave orvalho da Noite, que estás embebedado pela neblina da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ferido filho do Ocidente, que jorraste Teu sangue aos céus! Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu torre ardente do fogo, que estás eregida no centro dos mares! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu inostálgico orvalho, que estás úmido sobre os lábios da Manhã! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu crescente prata do amor, que queimaste sobre o leme escuro da Guerra! Eu Te adoro, Evoé! Eu te adoro, IAO!

Ó Tu carneiro branco como a neve da Aurora, que és assassinado pelo leão do meio-dia! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu ponta de lança carmesim da vida, que és golpeante às escuras vísceras do Tempo! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu negra calha da Morte, que rodopiaste, inundaste o alto navio da Vida! Eu te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu poderosa corrente de eventos que estás esticada entre Cosmos e Caos! Eu te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu elevante onda de luxúria, que estás amontoada pelos peitos lunares da juventude! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu serpente-coroa de luz verde, que estás enrolada ao redor da fronte da Morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu nostalgia carmesim da Vida, que estás derramado na jarra do Túmulo! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Oceano sem ondas da Paz, que dormiste sob o coração selvagem do homem! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rodopiante saia das estrelas, que estás envolvida em torno dos membros do AEthyr! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu cálice branco como neve do Amor, tu estás cheio das rubras luxúrias do Homem! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fragante jardim da Alegria, firmado entre o peito da manhã! Eu Te adoro Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu fonte de Vida como pérola, que emanaste na côrte negra da Morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu cão de caça malhado da Noite, com teu focinho ao sabujo do Pôr-do-Sol! Eu te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu leprosa garra do demônio, que seduziste o bebê de seu casto berço! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu palavra assassina da lei, que estás escrita na ruína de terremotos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu tremente seio da noite, que cintilaste com um rosário de luas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Santa Esfinge do renascimento, que contraíste no deserto negro da morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu diadema dos sóis, que estás amarrada desta rubra rede de mundos! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu capturado rio da lei, que derramaste o arcano da Vida! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu bruxelante língua do dia, que és sugada nos lábios azuis da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Abelha Rainha da colméia dos Céus, que untaste tuas coxas com o mal do Inferno! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu dragão escarlate da chama, capturado na rede de uma aranha! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu mágico símbolo da luz, que estás congelado no livro negro do sangue! Eu Te adoro, Evoé, Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu envolta imagem da Morte, que estás escondida no  caixão da alegria! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu rubro peito do pôr-do-sol, que ofegaste pela captura da Noite! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu serpente de malaquita, que regozijaste num deserto de turquesa! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu feroz redemoinho de paixão, que és sugado pela boca do sol! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu verde basílico do Inferno, que estás enrolado em torno do dedo do Destino! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu tremeluzente riso de fogo, que estás envolvido no coração das águas! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu gorila da nevasca do Ar, que arrancaste os cachos da Terra pelas raízes! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu celebrante do Espírito, que festejas no átrio da Matéria! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Vampiro da Vida de lábios rubros, que drenas sangue do Monte negro da Morte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu pequeno gracejo do Além, que és ouvido nas alamedas escuras do conhecimento! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu suavidade veranil de lábios, que brilha quente com a paixão escarlate! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu espuma de cor de pérola da uva, que estás manchada com as rosas do amor! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu frenética mão dos mares, que desenrolaste a Bandeira negra da Tempestade! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu envolto livro dos mortos, que estás selado com as sete almas do homem! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu retorcente frênezi de amor, que estás amarrado como as redes de chamas do Inferno! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu primordial anel de nascimento do pensamento, que circula o polegar da alma! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Ó Tu Cega chama do Nada, como uma coroa sobre minha fronte! Eu Te adoro, Evoé! Eu Te adoro, IAO!

Amen, e Amen de Amen, e Amen de Amen de Amen, e Amen de Amen de Amen de Amen.

TV Cultura apresenta ópera de Mozart

A Flauta Mágica

O Fortíssimo Ópera deste domingo (15/05) exibe na íntegra o espetáculo A Flauta Mágica, que foi gravado em março de 2006, no Theatro Municipal de São Paulo e traz a participação da Orquestra Experimental de Repertório e o Coral Lírico Municipal. A apresentação dessa montagem integrou o Festival Mozarteando, que celebrou os 250 anos de nascimento de Mozart.

A montagem, feita em dois atos e narra a história de superação dos limites e a luta entre forças opostas, ambientada num universo de contos de fadas. A ópera estreou em 1791, traz um conteúdo recheado de símbolos, magia e alusões à maçonaria.

Sobre o programa:

Fortíssimo é o título da faixa de programação noturna da TV Cultura dedicada à música erudita e ao universo da dança aos domingos. Aqui o telespectador entra em contato com o melhor da música de concerto, da ópera e do balé. A cada domingo, o programa apresenta, na íntegra, espetáculos de dança e de balé das principais companhias do país e concertos como os da Osesp, óperas completas e recitais com artistas nacionais e internacionais.